Trabalhadores para a seara

durvalina-pDurvalina Bezerra
“Rogai ao Senhor da seara que envie trabalhadores para a sua seara” (Mt 9.38). Neste texto, Jesus faz uma avaliação do pequeno número de trabalhadores com relação à grande extensão da Seara e lança um desafio para os doze discípulos: Roguem por trabalhadores!
Jesus viu a necessidade de obreiros; por que, então não aproveitou os líderes religiosos de Israel? Será que entre todos eles não existiam alguns que pudessem ser treinados para suprir a necessidade da Seara?
Havia um bom número de escribas, sacerdotes, autoridades religiosas, mas não havia trabalhadores. Jesus estava iniciando uma nova forma de missão, cuja preocupação precípua era o homem, acima da lei. O homem e não os rituais. O homem em sua integridade, em contraste com o homem religioso. A encarnação de Cristo era a nova forma de missão. Para dar continuidade ao ministério de Cristo, os trabalhadores precisariam entender a amplitude e a natureza da sua missão.
Por qual tipo de trabalhadores Jesus pediu que nós rogássemos? Veremos nesta pequena reflexão o perfil, o preparo e a produção do obreiro.

 

1. O PERFIL
1.1 Trabalhadores hábeis em lidar com vidas e não com objetos de culto
Na parábola do samaritano, Jesus conta que o sacerdote, líder religioso, quando viu o homem semi-morto, passou ao largo dele; de igual modo, o levita, o homem cumpridor das leis e dos rituais. Eles sabiam e tinham disposição para trabalhar com objetos de culto, todavia não se comoviam com a necessidade de um moribundo.
Os trabalhadores devem ser versados em Teologia e em Missiologia, mas que não tornem o homem objeto de trabalho ou tubo de ensaio para pesquisas antropológicas. Antes de tudo, que saibam trabalhar com o coração para ver a necessidade do homem perdido e sarar-lhe as feridas. Trabalhadores que saibam lidar com vidas, abrindo mão das suas próprias vidas; que não tenham a sua vida como preciosa, como disse Paulo (At 20.24), e como disse Jesus: “Eu dou a minha vida (…). Ninguém a tira de mim; eu espontaneamente a dou” (Jo 10.17, 18); que saibam perder-se a si, para serem achados em Cristo (Fl 3.8, 9a).
Saber lidar com vidas é ter disposição para comunicar a vida, não apenas comunicar uma mensagem. “(…) decidimos dar-lhes não somente o evangelho de Deus, mas também a nossa própria vida” (1Ts 2.8 NVI).
M. Bounds afirmou: “Um homem, um homem por inteiro é o que está por trás de um sermão. Pregar não é dar um show de uma hora, porém o fluir de uma vida.”[1] A vida autentica a mensagem.
Saber lidar com vidas é ter a capacidade de desprender-nos dos valores culturais e intelectuais, para sermos instrumentos do Espírito Santo (1Co 2.1-5). Isto significa limitar a liberdade e negar, muitas vezes, os direitos de segurança financeira, de casamento ou de promoção profissional, para resgatar vidas. É aceitar limites e nos dispor a sacrifícios a fim de praticar um evangelho pleno (1Co 9.5, 12).
Para alcançarem resultados como Paulo, que tão rapidamente expandiu o evangelho por toda a Ásia Menor, indo até a Europa, é necessário que os trabalhadores de hoje tenham a ousadia de dizer: “Fiz-me fraco para com os fracos (…). Fiz-me tudo para com todos; tudo faço por causa do evangelho” (1 Co 9.22, 23).
1.2 Trabalhadores aptos a ensinar atitudes que tenham conceitos
O conceito exposto deve ser autenticado na prática. Diz o dr. Martin Lloyd-Jones: “Todo conhecimento precisa ser aplicado; não fazer isto é pecado.”[2] Roguemos por trabalhadores que ensinem fazendo. Este foi o exemplo de Jesus: Antes da Ceia, ele tirou as vestes de Rabi, cingiu-se com uma tolha, pôs água na bacia e lavou os pés dos discípulos (Jo 13.1-17). Esta foi a ordem: “(…) como eu fiz, fazei vós também”. Jesus não exigiu o que ele mesmo não fosse capaz de realizar; não apenas disse como fazer, mas fez como forma de instruir. Trabalhadores que ensinem a fazer com autenticidade.
Aquele era um trabalho de escravo humilde, contudo ele não escalou ninguém; ele mesmo serviu, e não perdeu a postura de Mestre por tirar a túnica de Rabi e cingir-se com uma toalha (v. 13).
Necessitamos de trabalhadores que não percam o alvo do fazer. Jesus lavou os pés dos discípulos, mas atingiu a compreensão deles – “compreendeis?” (v. 12, 17). Ele não perguntou: “Vistes?” Não apelou superficialmente para a visão ou para a emoção, mas apelou à compreensão: Se não fossem capazes de lavar os pés, não poderiam pegar o cetro. Deixou claro que é a atitude de servo o que caracteriza o seu reino, quando disse à mãe de Tiago e João: “Aquele que quiser tornar-se grande seja o servo de todos” (Mt 20.20-28).
1.3 Trabalhadores motivados pelo amor
Esta deve ser a preocupação daqueles que trabalham na formação de obreiros – motivar o amor! O amor como sendo a razão do serviço. Esta é a diferença: trabalhar, não por obrigação moral ou ministerial. Na igreja de Éfeso existia conduta moral, labor, boas obras, perseverança, mas o amor estava abandonado (Ap 2.2-4).
Todas as obras de Deus são feitas em amor e ele não considera uma obra feita sem amor. A falta de amor representa a inexistência do ser (1Co 13.2). O amor é o requisito preeminente do trabalho (Jo 21.15-17). Três vezes Jesus insistiu com Pedro, requerendo dele uma só virtude para o cumprimento da tarefa: “Tu me amas?” Nossa vocação é amar. Toda a motivação e todo o produto do trabalho devem ser fruto do amor. Este é o modelo do nosso Cristo e nada feito fora dele pode revelá-lo.
O amor faz ver a realidade. O Senhor Jesus pediu trabalhadores porque viu, com o coração, as multidões. Não as viu apenas do ponto de vista cultural, étnico, sociológico etc. mas, como ovelhas sem pastor, famintas e exaustas (Mc 6.34). Daí, seu coração se compungiu e buscou uma solução para alcançá-las, isto é, trabalhadores que vejam, que ajam motivados pelo amor. “O amor de Cristo nos constrange.” Este amor não é algo natural em nós; precisamos recebê-lo pela graça. A única forma de aprender a amar é sentir pelos outros a terna misericórdia de Cristo (Fl 1.8).
Só trabalhadores motivados pelo amor são habilitados a suprir a necessidade da seara.
2. O PREPARO
Ao apelar para os seus discípulos, dizendo-lhes que rogassem ao Senhor da seara por trabalhadores, Jesus também pôs em avaliação as organizações que preparam os ceifeiros. A existência de organizações religiosas não garante a existência de trabalhadores autênticos da seara. Se Jesus fosse escolher hoje seus seguidores, iria a nossas escolas buscar trabalhadores?
Havia em Israel várias escolas de preparação de rabinos; no entanto, Jesus subiu ao monte e rogou ao Pai pela seleção dos doze discípulos (Lc 6.12-16). Este é um assunto de oração e em resposta à oração os obreiros são designados pelo Senhor, a quem pertence a determinação ministerial.
Três pontos devem ser enfatizados no currículo oculto das escolas de formação de obreiros:
2.1 A consciência da vocação
Trabalhadores autênticos são chamados por Deus para a missão, pois não há vocação sem missão. Toda vocação religiosa é essencialmente missionária, sem negar as outras dimensões da vocação, como a carismática, a comunitária, a do magistério etc.
Ser trabalhador é ter uma missão e missão não é uma tarefa para quem tem chamada transcultural; é tarefa do trabalhador que está em função do mundo. Há o risco de limitar as funções ministeriais a atividades eclesiásticas da própria igreja ou denominação, ou limitar-se à sua capacidade profissional, abstendo-se da verdadeira missão.
A vocação é divina, e nenhuma suficiência teológica, eclesiástica ou missiológica pode substituí-la. “Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros, e vos designei para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça” (Jo 15.16).
Ninguém é chamado por capacitação pessoal. O cumprimento da missão requer uma capacitação que o eleito não descobre em si mesmo: “Quem sou eu?”; “Não passo de uma criança” foram expressões proferidas por dois grandes profetas a quem Deus chamou. Com muita precisão, Paulo diz que a nossa suficiência vem de Deus (2Co 3.5-6). Deus não chama os que se acham capacitados mas capacita os chamados por ele (cf. 1Co 1.26-29). A história comprova que a maioria dos servos de Deus eram humildes, de famílias simples e não tinham contato com grandes homens para projetá-los. Assim foram os primeiros apóstolos, simples pescadores da Galileia; assim foram Willian Carrey, George Whitefield, Glades Aylward e outros. Evidentemente, a presciência divina traz-nos Saulo de Tarso, Charles Studd e outros de nobre nascimento, mas que foram reduzidos a nada, para nunca se gloriarem, a não ser em Deus (1Co 1.31).
A motivação da vocação nunca deve ser a solidariedade mundial, o altruísmo da filantropia ou a libertação dos povos. Se assim é, será que não estamos assistindo à secularização do conceito real de vocação? Precisamos de trabalhadores cuja consciência da vocação seja mais forte que a necessidade do mundo perdido ou a disposição de ajudar os povos pressionados por regimes políticos ou injustiças sociais; mais forte que a empolgação dos programas de desafio missionário. Ser trabalhador consiste em responder não ao apelo da época, mas à dinâmica da própria vocação.
As nossas escolas devem ser formadoras de cristãos que tenham como suprema riqueza a convicção da escolha; como forte segurança, a consciência da chamada; como força propulsora para cumprir o dever, a certeza da vocação.
Necessário é que os candidatos que procurarem as nossas escolas sejam atraídos não apenas por nossa organização, eficiência estrutural e pedagógica, mas, antes de tudo, pela voz divina em resposta à nossa oração por vocações genuínas.
2.2 A formação do caráter – formação, não informação
A formação do caráter ocorre na Casa do Oleiro, na escola de Deus. O sistema ensino–aprendizagem deve proporcionar ao Espírito oportunidades para tratar cada vocacionado individualmente. Jesus foi tratado na escola do Pai. Diz o autor de Hebreus que ele aprendeu a obediência (Hb 5.8) e foi tentado à nossa semelhança (Hb 2.18). “Nada foi exigido dele sem que tenha sido formado nele.”[3] Ele foi obediente ate à morte (Fl 2.8).
A missão tem duas finalidades cristológicas: anunciar Cristo e viver como Cristo. Este é o alvo: “(…) até ser Cristo formado em vós.” (Gl 4.19b).
O caráter é formado através da luta (Fl 2.19-22). O Apóstolo Paulo declarou: “(…) aprendi a viver contente em toda e qualquer situação” (Fl 4.11). Esta é a aprendizagem de atitudes, a mudança na escala de valores, a percepção dos propósitos divinos nas situações corriqueiras da vida. Não devemos empenhar-nos apenas no aperfeiçoamento da lógica, do raciocínio, da técnica de trabalho, mas, antes de tudo, no aperfeiçoamento do caráter do trabalhador. Que a produção do trabalhador não seja na proporção do ter, mas do ser.
Com muita freqüência a capacidade e o comportamento são pólos opostos! Frederico, o grande, disse certa vez de Voltaire: “Estátuas deviam ser erguidas em sua honra por seus trabalhos, mas a sua conduta merece os Galés.”[4] Que tremendo é poder unir grande inteligência e coração puro.
O caráter é provado na fraqueza para experimentar o poder da graça divina. Nossas escolas devem proporcionar situações de prova. O medo do fracasso pode ser um incentivo para reconhecer as áreas vulneráveis e permitir a operação divina. “Quando Deus adiciona, subtrai; quando subtrai, adiciona”, diz Charles Scribner. Liberar o poder através da fraqueza é a maneira mais eficaz de evidenciar a glória de Deus. A fraqueza, portanto, não impede o cumprimento da missão, pois o sucesso desta está assegurado na conciliação do conflito – fraqueza e poder.
2.3 O combate espiritual e a habilidade do Espírito Santo
Promover o exercício espiritual e enfrentar a luta pela conquista do mundo é combater contra as forças adversas das trevas. Jesus iniciou sua missão confrontando o diabo (Mt 4). Declarou que o sinal do reino era a expulsão de demônios (Lc 11.14-20), e isto implica experiência. Saber sobre a guerra espiritual no nível da consciência não significa saber no nível da experiência. O Senhor Jesus lançou os setenta no campo de ação, conferindo-lhes autoridade contra os espíritos malignos, e eles voltaram maravilhados (Lc 10.17).
Quando falamos em batalha espiritual não estamos nos referindo só ao exorcismo, até porque não é uma prática constante, mas falamos da luta que enfrentamos no dia-a-dia contra o adversário das nossas vidas e da nossa missão (1Pd 5.8-9). “A vida cristã em primeiro lugar é um combate. Jamais devo pensar que todo o meu problema se limita àquilo que há dentro de mim e das outras pessoas. Acima e além disso está esse outro fortíssimo poder em formação de combate contra mim.” Assim nos lembra o dr. Martin Lloyde-Jones.[5]
Os trabalhadores devem estar conscientes de que a batalha é espiritual e de que, para vencer, necessitam da capacitação do Espírito Santo e das armas apropriadas, isto é, a armadura divina (Ef 6.10-18; 2Co 10.4-6).
O trabalhador tem uma missão – introduzir todos os povos no âmbito da autoridade do Cristo ressurreto – a qual só pode ser cumprida por aqueles que são adestrados no combate espiritual (Sl 18.34).
A ênfase à hora devocional, à oração e à meditação da Palavra devem fazer parte do nosso programa extra-classe, mas não extra-curricular. Esta é a principal parte e não deve ser retirada, como disse Jesus a Marta: Você se preocupa com muitas coisas; “Maria, pois; escolheu a boa parte e esta não lhe será tirada” (Lc 10.42b). É a hora em que somos revestidos do Espírito para operar com poder contra as investidas do mal.
3. A PRODUÇÃO
Vamos refletir, baseados na avaliação de Jesus às atividades dos ceifeiros, sobre a produção dos trabalhadores que preparamos. O número de atividades religiosas nem sempre produz resultados verdadeiros no empreendimento missionário. Só no Brasil, temos centenas de escolas teológicas que formam obreiros a cada ano, mas, por que o avanço do Evangelho no mundo é lento?
É bom avaliar o que está sendo feito e como está sendo feito, para podermos formar trabalhadores que produzam o fruto que permaneça. Há muitas formas de avaliar, mas nos deteremos apenas na perspectiva do ministério de Jesus.
3.1 Só produzem resultados verdadeiros aqueles que trabalham visando à meta final
Jesus, o perfeito missionário, sabia possuir sua missão, porque andava em direção à meta final. Durante toda a sua vida, quando ensinava, curava ou convivia com os seus discípulos, caminhava à sombra da cruz. Por isso era capaz de dizer: “Eu te glorificarei na terra, consumando a obra que me confiaste para fazer” (Jo 17.4). E, na cruz, afirmar: “Está consumado!” Quando ele expôs a sua missão e o propósito de ir à cruz, Pedro chamou-o à parte e repreendeu-o, mas Jesus disse-lhe: “Arreda, Satanás!” (Mt 16.21-23). Jesus agiu de tal modo porque levava a sério a sua missão.
Cumprir organogramas sociais, estabelecer departamentos, fazer programas de conservação da fé nem sempre significa alcançar homens e mulheres para o reino do nosso Cristo. A meta principal dos trabalhadores é a evangelização mundial.
Trabalhar visando à meta final é oferecer a cruz como solução para os problemas sócio-econômicos, políticos e espirituais. A cruz não resolve apenas a questão espiritual do homem. Quando pregamos o evangelho, parece que restringimos o poder da cruz a essa questão; para tratar dos problemas comunitários, buscamos outros recursos. Esquecemo-nos de que a cruz é a melhor prova do valor humano, pois ela atinge o homem em sua integralidade.
A definição de evangelismo adotada pelo Concílio Mundial de Igrejas, em 1918, diz que evangelizar é apresentar Cristo Jesus de tal maneira, que as pessoas venham a confiar em Deus através dele, aceitá-lo como seu Salvador e de servi-lo como Rei. “Proclamar que Jesus é o Senhor implica colocar na história o fermento transformador da humanidade e, ao mesmo tempo, emitir um conceito incômodo sobre o mundo, contestando tudo aquilo que, no mundo, pretende assumir o poder absoluto.”[6]
Não basta falar bem à mente do homem; é necessário levá-lo à cruz. Não basta servir à humanidade, como muitos o fazem tão bondosamente; urge tirar as vidas do império das trevas para o reino do Filho. Nossa missão tem uma só forma – a cruz. Diz John Stott: “Cada forma de missão deve ter uma única forma, a cruz.”[7] “Cristo enviou-me para pregar o Evangelho; não com sabedoria da palavra, para que se não anule a cruz de Cristo” (1Co 1.17). Pregar o evangelho sem a cruz é tornar vão o sacrifício de Cristo.
3.2 Só trabalham com resultados verdadeiros aqueles que realizam a vontade soberana
Creio, com base na Escritura, que Deus tem, especificamente, um lugar, um povo e um ministério para cada trabalhador, porque sua vontade é direcionada a cada um. A principal meta de Jesus – seu compromisso pessoal – era cumprir a vontade do Pai. “Uma comida tenho (…). A minha comida consiste em fazer a vontade daquele que me enviou” (Jo 4.32, 34). Isto não significava simplesmente fazer o trabalho, mas cumprir a soberana vontade de Deus. Isto é que produz resultado!
Na verdade, o campo é o mundo, mas cada um é direcionado de forma específica para alcançá-lo. Paulo diz, em Gálatas 2.8: “Pois Deus, que operou eficazmente em Pedro para o apostolado da circuncisão, operou também em mim com eficácia para com os gentios.” Isto não exclui a dimensão universal da nossa missão, mas nos indica a parte que nos cabe nela. Não podemos perder os horizontes do ministério.
A vontade soberana está ligada à função que cada um tem no corpo. “Se todo o corpo fosse olho, onde estaria o ouvido?” (1Co 12.17). É necessário cada um encontrar a sua função, porque só se produz bem quando o devido lugar é encontrado no corpo. São todos apóstolos? São todos mestres? – Paulo pergunta (v. 29). Não seria a escassez dos resultados proveniente desta problemática, a saber, cada um fazendo sua opção sem deixar Deus determinar o que quer que cada um seja?
A separação feita pelo Espírito Santo caracteriza a vocação específica. A função é de acordo com o dom. Temos diferentes dons, diz Paulo, em Romanos 12.3-8. É necessário buscar os dons da graça para que a produção seja genuína e eficaz. Cada um tem o seu próprio dom e a sua própria vocação, segundo o beneplácito da vontade do nosso Deus. Não é bastante entrar no ministério, mas cumprir a missão recebida.
3.3 Só produz para Deus quem tudo faz para a glória de Deus
Jesus disse, várias vezes, que não procurava a sua própria glória. Os apóstolos seguiram o exemplo de Cristo. Paulo dizia: “A ele seja a glória” (Ef 3.21). Pedro repreendeu Cornélio quando este inclinou-se diante dele. Escrevendo sua primeira epístola, demonstrou a paixão que dominava a sua vida: “Para que em todas as coisas Deus seja glorificado” (1Pe 4.11). O perigo não é apenas gloriar-se, mas atrair glórias para si, permitir que outros nos façam centro de aplausos e elogios.
“A obra de cada um se manifestará porque o dia a demonstrará e pelo fogo será revelada” (1Co 3.13). Só permanece a obra que glorifica a Deus. “Porque não é aprovado quem a si mesmo se louva, e sim, aquele a quem o Senhor louva” (2Co 10.18). Precisamos seguir o exemplo de João Batista. Quando o ciúme e o espírito de competição atingiram seus discípulos, preocupados com o aparente fracasso do seu ministério, ele declarou: “O homem não pode receber coisa alguma se do céu não lhe for dada (…). Convém que ele (Jesus) cresça e eu diminua” (Jo 3.27b, 30). A consciência de que tudo vem do céu, pela graça divina, torna imprópria qualquer concepção de glória humana. Porque em Deus fomos abençoados, para o louvor de sua glória (Ef 1.3-14). “Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor” (1Co 1.31).
A seara precisa de trabalhadores que se identifiquem com o seu Senhor e o sirvam no modelo por ele estabelecido.
_________________
[1]  STOTT, John, O perfil do pregador. Editora Sepal, 1989.
[2]  LLOYD-JONES, Martin. Os puritanos: suas origens e seus sucessores. São Paulo: PES, 1993.
[3]  TURNBULL, M. Ryerson. Estudando o livro de Levítico e Hebreus. Editora Presbiteriana, 1954.
[4]  BOLT, Martin e Myers, David. Interação humana. São Paulo: Ed. Vida Nova, 1989.
[5]  LLOYDE-JONES, Martin. O combate cristão. São Paulo: Editora PES, p. 18.
[6]  José Cristo Rey Garcia Paredes, Chamados para a missão – Dimensão missionária das vocações e ministérios. São Paulo: AM Edições, 1989, p. 26.
[7]  John Stott, A cruz de Cristo, São Paulo: Vida, 1991.

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